Duelo Gigante

Mon Nov 23 2020 03:00:00 GMT+0000 (Coordinated Universal Time)

Desde jovem, quando se preparava para a primeira de suas aventuras, Magorn já considerava o nordeste de Arzyn como o destino ideal para colocar à prova sua coragem e sua habilidade com a espada. Um lugar não dominado por humanos, uma área sob controle de criaturas que não utilizavam arcania, uma região habitada por raças descendentes do irdranni Tovvan-Tar. Ciclopes, minotauros, gigantes. Seres que haviam recebido corpos magníficos e força extraordinária. Nada encantava tanto Magorn quanto o culto às capacidades físicas.

Após uma jornada longa e solitária, o guerreiro alcançou a passagem entre montanhas que marcava o início de seu tão almejado destino. Três gigantes guardavam a estrada, sentados em enormes troncos que bloqueavam o caminho.

– Humanos não são bem-vindos – anunciou um deles.

– Muitos de minha raça já cruzaram estas terras. Conheço as histórias.

– Temos um novo líder – explicou outro, dando de ombros. – Você não passará.
Magorn enxergou uma oportunidade.

– Proponho um duelo. Eu contra um de vocês, pelo direito de seguir adiante.

Os vigias trocaram olhares divertidos. O maior deles, marcado por ferimentos graves, mancou adiante enquanto desembainhava a espada.

– Ontem derrotei um guerreiro que traiu nosso líder, um inimigo à minha altura. – Ele gargalhou. – Se deseja a morte, humano, não a negarei. Se preza por sua vida, retorne por onde veio.

Com dentes trincados, Magorn partiu para o embate, esquivando de dois golpes capazes de parti-lo ao meio. Entretanto, falhou no contra-ataque. O gigante era mais ágil do que as histórias e o corpanzil davam a entender. Ainda assim, após evitar outros três ataques, Magorn abriu uma fenda na perna do adversário. Quando tentou se afastar para preparar uma nova investida, a lâmina do oponente desceu de lado como um pêndulo, quebrando ossos e arremessando-o no chão.

– Mais fácil do que caçar um urso comum – debochou o gigante, brandindo a espada para transformar Magorn em uma mistura de sangue, terra e entranhas.

Arte: Mateusz Lenart (ArtStation)