O Mercador

Fri Jul 09 2021 03:00:00 GMT+0000 (Coordinated Universal Time)

Arte: Chris Jono

Os cascos do cavalo afundavam no banhado enquanto os olhos de Teggod vasculhavam a neblina. “Ele precisa existir”, pensou o guerreiro, que com a mão direita pressionava o ferimento estreito e profundo na lateral do torso, aberto pela adaga de um assaltante. Os homens que o haviam atacado estavam mortos, assim como ele em breve estaria, se não encontrasse ajuda. O sangue aquecia os dedos de Teggod, o silêncio da noite lhe gelava o espírito e sua mente começava a vacilar.

Então, nas proximidades de um monte rochoso, a neblina apaziguou, e Teggod enxergou uma figura coberta por um manto escuro sentada em uma pedra. Uma máscara óssea cobria seu rosto, e olhos vermelhos brilhavam por pequenas aberturas. Uma galhada de alce brotava do crânio, e ele portava uma lança comprida e incomum. “Os rumores eram verdade, O Mercador existe”.

– Sim, pela graça de Duvogg-Tar – disse o vulto, com uma voz tranquila e grave.

“Ele pode ler a minh...?”

– Eu posso. Você é um homem de sorte. Estava prestes a partir, já permaneci nesta região por tempo suficiente, mas estou aberto a mais uma negociação. O que oferece por sua vida?

“Apenas diga o preço.”

– O seu cavalo, as suas armas, um de seus olhos e seu silêncio sobre nosso acordo. Você aceita? Ótimo. Desmonte, prenda o animal nas rochas, deixe as armas com ele e deite diante de mim.

Teggod fez como ordenado. Assim que o guerreiro se deitou, o vulto retirou uma minhoca de dentro do manto, colocando-a sobre o ferimento mortal. Após rastejar para dentro da ferida, o animal emitiu um brilho vermelho e se transformou, guiada pelos desejos do Mercador. Ela cresceu e preencheu o espaço aberto pela lâmina, conectando-se às entranhas do guerreiro, estancando o sangramento e retornando o corpo ao seu funcionamento normal.

Antes de desmaiar pela dor, Teggod viu unhas afiadas se aproximarem de seu olho esquerdo. Elas carregavam uma nova minhoca. Ao acordar, uma massa avermelhada e disforme, que lembrava pele, cobria sua órbita ocular. Ele se sentia bem, e não havia sinal do cavalo ou do Mercador.

 
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