Os Ninhos

Mon Sep 21 2020 03:00:00 GMT+0000 (Coordinated Universal Time)

Minha primeira experiência em Ishllan foi testemunhar grifos planando e mergulhando no ar, próximos aos mais altos picos da porção insular da cidade. Desde então, montá-los se tornou meu sonho. Ao longo de minha infância como aprendiz, muitas vezes parei para assisti-los brincar em bandos ou treinar com seus arcanos azuis.

Enquanto não passava de um arcano menor ou de um arcano médio na hierarquia da ordem, cumpri todas as minhas tarefas e missões com afinco e lealdade exemplar. Assim que meus dez anos de serviço obrigatório terminaram, renovei-os de forma perpétua. Tudo para me tornar um arcano maior, para ter a chance de um grifo me escolher como seu companheiro.

Quando o dia chegou, minhas mãos suavam. E o estômago rugia. Nada além do sonho cada vez mais próximo ocupava a minha mente enquanto eu subia até a morada dos grifos. Quatro arcanos gríficos me acompanharam pelos caminhos estreitos da montanha. Eles pararam ao encontrarem suas respectivas criaturas na entrada do complexo de ninhos e indicaram que eu prosseguiria sozinho.

Com passos cuidadosos, avancei sob o olhar atento de grifos de todos os tamanhos. Dos mais antigos e agressivos aos mais novos e brincalhões. Até mesmo avistei um ovo, cujos veios azulados pulsavam em luminosidade arcana. Já havia caminhado o suficiente para elevar meu nervosismo ao extremo quando o som de asas surgiu em uma rocha alta. Planando majestoso, um grifo pousou à minha frente.

Após uma breve mesura, tentei relaxar. A criatura aproximou seu bico, inspirando com ponderação avaliativa. Estava perto o suficiente para eu sentir a energia azul emanada por seu corpo. Então ela grasnou e se colocou sobre as patas traseiras, desferindo um golpe horizontal em minha direção. Saltei para trás e corri, enquanto os demais grifos me observavam e grasnavam em ameaça.

Ao chegar à entrada dos ninhos e encontrar os quatro arcanos gríficos, não contive as lágrimas e caí de joelhos. Em meio a grunhidos de frustração, remoí a destruição de meus sonhos.


Arte: Melinda Vass (ArtStation)